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O QUE É A VIDA? OS BALÕES DE GUAXELO

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Ao ouvir os estouros dos foguetes e ver a fumaça enevoando as torres da igreja Matriz, apressou-se em jogar a última cuia d’ água sobre a cabeça. Em seguida passou as mãos pelos braços e canelas e calçou as sandálias. Ainda pensou em encher mais um balde, mas se lembrou da recomendação de Dona Canuta, que não demorasse, pois a hora de banhar já havia passado. É que ele havia demorado no campo, juntando bosta de vaca seca para adubar os canteiros da avó.

Uma semana havia passado. Treze anos completos! E nenhum bolo ou presente. Apenas os “parabéns” que avó e os outros dois irmãos cantaram, sob a luz encardida da lamparina, assim que se sentaram para jantar o mesmo de todo dia: peixe. Pescado ali mesmo na beira do campo. Mas seus olhos brilharam diante da promessa que assim que as coisas melhorassem ganharia um calção novo.

- Vó posso ir na praça?
- Mas tu não já foi ontem, meu filho? Daqui a pouco vira padre ou então fica como Seu Napoleão, um pé em casa e outro na igreja.
- Mas é a festa do padroeiro, vó! E não demora acaba.
- Vai, mas não demora – Condoeu-se a avó, lembrando-se que menino era o homem da casa. Tão novo, mas amadurecido à força pela vida dura. Até um bigode ralo começava a despontar no rosto.

Comeu apressado e tomou a benção. O irmão mais novo chorou querendo ir, mas a avó lhe pôs no colo e contando histórias fez com que fosse adormecendo, sentindo o vento frio que vinha das bandas do Campinho.

- Quando tu crescer mais um pouquinho tu vai. Tá vendo aquelas duas estrelas ali? Dizem que são os olhos de Nossa Senhora espiando os pobres do mundo. Eu mesmo já cansei de pedir quando as coisas aperreiam.

Ao subir a rua o menino ainda vinha contente, pela avó ter deixado, quando avistou um cachorro fazendo cocô, ali colado à cerca entre a casa de Seu Dodô e Seu Maioba. Não ia perder aquela oportunidade e enroscando um dedo indicador no outro, feito os elos de uma corrente, viu o cachorro se afastar zangado.

- Eita, que é verdade. Ele que cague em outra cerca!
Chegando à praça, foi até a barraca vermelha e depois na azul. Juntou algumas tampas de cerveja, jogadas no chão, e pôs-se a cheirar. Espiou a brincadeira no pau de sebo, uma parte do leilão, mas nenhum lugar era melhor do que próximo a João Guaxelo. O senhor que vendia balão, de bigode fino no rosto, chapéu de palha na cabeça e cigarro pendurado no canto da boca, tragado pelo vento.

De longe se via aquele tubo de hélio, onde os balões ganhavam forma. Nunca em toda vida havia ganhado um, mesmo os mais baratos de uma só cor. Imagina um balão mais caro, daqueles coloridos.

- Será que vovó já dormiu? – Pensou, enquanto se sentava ao lado de outros moleques pobres do bairro. Passavam quase todo tempo ali, admirando os balões murchos, que ganhavam alma e saíam cheioa e coloridos sobre a cabeça do povo.

Já no fim da noite, bastou um deles cochichar no ouvido do outro que todos entenderam. Um balão bonito acabava de ser amarrado no pulso de uma criança. Não se sabe quem lançou a tampinha de cerveja no ar, viram apenas ela reluzindo, ganhando direção e altura certa, até estourar o balão e o choro em seguida.

Todos os moleques, com as sandálias enfiadas nos dedos, correram e sumiram pelas ladeiras do bairro. Por isso, quando ele chegou ofegante, empurrando a mensaba da sala, e a avó lhe perguntou o que havia acontecido, se abanando, fingiu verdades:

- Visagem, vó. Visagem! – E foi até o pote beber água.

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