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O AMOR

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Vivendo há tanto tempo naquele casebre, ali com os pés quase dentro do rio, ninguém compreendia como ainda discordavam tanto um do outro e em quase tudo. Se não existissem as sem-vergonhices assim que abriam os olhos, entrecortado pelo canto do galo; logo depois do almoço, assim que a digestão se completasse, e antes de dormir, após ouvirem o bacurau pousando na cumeeira da cozinha, talvez já tivessem se separados.

- Se não fosse esse chamego, Pé de Pato, eu já tinha te deixado – Vivia repetindo Maria Mururú, entre os afazeres de casa – Tu é um homem muito cheio de vontades. Mas também, tua mãe mesmo na pobreza te tratava feito um príncipe.

 

- A mesma coisa digo eu, Maria. Repara como só eu tive coragem de me casar contigo. E nome de mãe é sagrado. A tua era a mesma coisa – Retrucava o marido. E assim foram vivendo, amando e discordando.

Foi logo depois das chuvas grandes, com o dia amanhecendo, que ele saltou da cama, pressentindo as horas adiantadas. Limpou os olhos, abriu a boca mais uma vez e chamou por ela, enquanto vestia uma camisa branca, fina e se descosturando em muitas partes.

- Vumbora, Maria! Que peixe não espera pescador.
Ela se apressou e foram para a mesa do café. Duas xícaras faltando as orelhas, um bule machucado e uma cuia de farinha, ali posta no meio dos dois, enquanto conversavam:

- Marido, tu vive dizendo que se não fosse tu, ninguém casava comigo. Mas de Pedro Acará tu não diz nada.
- E o que tem Pedro? Até morto o homem já tá. E tu remoendo histórias.
- Não te faz de doido. Tu sabe que ele quase enlouqueceu foi por causa de mim. Era homem trabalhador, dos melhores roceiros destas bandas. Aquele bebida toda, foi só paixão recolhida.

Pé de Pato jogou mais um mão de farinha na boca e revirou a xícara de café, observando o quintal. “Parece que já ouvi falar mesmo, mas não tenho certeza. Vai que minha memória esteja me traindo” – Pensou, para só depois dizer:
- Pois eu nunca ouvi falar disso. Pedro vivia bêbado era pela dureza da vida. Um pé na roça e outro na pescaria, bebia tem sua serventia.

Ela sorriu, também mastigou a farinha torrada, fingindo não ter percebido o ciúme caminhando no rosto dele. Até o canto da boca remexia, igual a todas às vezes em que ficava nervoso. Por isso, decidiu mudar de assunto:
- Benzadeus! Eu não sei como tu toma café sem açúcar.
- Mulher, açúcar tira o gosto das coisas. O café preto, sem nadinha é que é café. Repara como até a cor é mais bonita – Afirmou, levantando a xícara diante dos olhos, aproveitando a fraca claridade que vinha lá de fora, misturado ao cheio das frutas caídas.

- Mas sem doçura, nada presta marido. E desde de quando café é bonito? Tu parece que não tem juízo. Bonita sou eu, olha – Disse Maria, tirando o vestido. A pele morena contrastava com o dia amanhecendo.

Feito bicho brabo, Pé de Pato avançou e, sabendo que havia acordados atrasados, os dois resolveram se vingar das horas. Amaram-se ali mesmo, rolando no chão batido, esmagando-se nos barros da parede, derrubando os mochos de madeira, desequilibrando o pote, até que tombaram na porta da cozinha, sob o olhar curioso das galinhas que haviam deixando, por alguns instantes, de beliscar os farelos de claridade salpicados pelo quintal.

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