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O NASCIMENTO DAS PEDRAS

October 28, 2019

Foi logo depois do último trovão, que ela bocejou, inquieta com aquela chuva toda. Fingiu que ainda dormia, mas só esperou a claridade atravessar a cortina fina do quarto, para se levantar. Abriu os braços, feito um passarinho, e resmungou alguma coisa, vendo o marido ali, morto enquanto dormia.

 

Abriu a porta da cozinha e espiou o quintal molhado, cheios de riozinhos que desembocavam ao pé da cerca velha, lá no fundo. Só então percebeu e achou estranho que nenhum bicho estivesse por ali mariscando no começo do dia.

- Diacho é isso, para onde foram as criaturas? – E andando pelo quintal foi olhando aquelas pedras arredondas e brancas por todas as partes, ou seria ovos? Pensou confusa. Sacudiu uma, depois outra, e distraída com a terceira, não viu o marido se aproximar.

- Endoideceu, foi mulher? Sacudindo pedra como se fosse ovo – Perguntou se curvando para pegar uma. Depois colocou contra a claridade, e observando se calou também.
- Isto é pedra de trovão, mas tá leve demais. Será que é um ovo mesmo, mas com a casca dura assim, mulher?
- Engole tuas palavras. Que mal viu, já foi dizendo que eu tava doida. Taí, agora endoidece junto comigo. Vamos levar para a mesa do café, que o tempo ainda tá frio – E rumaram admirados da quantidade daquelas pedrinhas pelo quintal.

Enquanto a fumaça ia subindo da xícara, ela olhava para o marido que sequer se deu conta do café ali à sua frente. Pois ele continuava a revirar as pedras que havia trazido. Mesmo com a claridade acendeu uma lamparina, querendo entender aquela estranheza.

- Mulher, repara, como dentro tem alguma coisa. Não é ovo de bicho não. A casca é dura como pedra. Mas também não é pedra, porque tem sombra dentro!
- Toma logo teu café, antes que esfrie, homem. Depois a gente descobre o que diacho é isso. E os bichos que sumiram tudo?
- Mas como eles iam ficar no quintal, caindo esse troço aqui? Iam morrer tudinho do baque.
- Como tu sabe que essas pedras fizeram foi cair e não nascer da terra, como maniva?

E ficaram os dois em silêncio, mastigando dúvidas. Até que viram as galinhas chegando ali na porta, depois os patos e marrecos, e por fim o jabuti. Pareciam cansados e famintos, vindos de outros quintais distantes.

O dia todo ficaram observando as pedrinhas ali em cima da mesa, mas nada acontecia. Vigília de nem dormir depois do almoço. Apenas no fim da tarde, enquanto cortava o caju para colocar no peixe, foi que ela escutou aquela coisa se rachando. O marido veio correndo ao ouvir seu chamado e deixou o arroz quase pilado para trás.

- Olha marido, era ovo mesmo, mas não de bicho.
Com a lamparina acessa, ficaram ali, vendo aquelas plantinhas brotando uma por uma de dentro das pedrinhas, que iam rachando e mostrando suas raízes. Levaram-nas para o quintal e também lá todas estavam brotando de uma só vez, crescendo a cada instante. Os bichos brincavam beliscando as cascas que iam caindo, depois desistiam sentido as durezas.

- Mulher tu já ouviu dizer que as árvores podem botar ovo?
- Neste mundo, onde até os trovões põem, por que não? A natureza não diz tudo que faz.

Por trás da mata, o sol já havia desaparecido. Quando a lua espiou o quintal, confusa por não reconhecer aquelas árvores grandes, nascidas de uma hora para outra, ainda encontrou os dois ali. Estavam sentadinhos, de mãos dadas, no banco de madeira comprido com os bichos ao redor, admirando os últimos nascimentos.

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